13 March 2008

Ankh Opromorph

That is what I always call Ankh Morpork in my head (am reading Going Postal), I can never remember its proper name at first but as of today I will have a mnemonic. I am off to school now for a Animal Product Technology lab class, and the menu? Pork. The class will take place in a classroom that is basically AN INDUSTRIAL FRIDGE, how I have missed my fridges, and we will be taught how to make sausages.

It makes perfect sense seeing as how all North African countries suffer from hunger and poverty to some degree and you never know when you'll happen upon roadkill. It also proves my theory that we have long been the most powerful nation in the Mahgreb.

Yesterday I learnt one of my professors said My lectures have nothing to do with what will be evaluated by the way. Upon being asked to expand on it there was this: You're students, European students, go read the books and figure out what we want,
after the Bologna reforms it's your responsibility, not ours.

Pass the nargillah.

8 furballs:

Udge said...

/me shakes his head in wonder. I always thought that vets were supposed to keep animals alive, not grind them up for eating...

Lioness said...

Well, the rationale behind it is, we will obviously not have to make sausages and cheese et al but we (they) (my colleagues) (NEVER me) will have to be able to assess the whole process in terms of quality and hygiene and here we are. It's bloody cold. Oh right, it's 12ºC, which FOR SOME PEOPLE is still mild...

José said...

humm... porco? Como menu? Como é que fazes nessas alturas?
Tenho estado fora do país e na viagem de regresso fiquei entre um hassídico e um judeu digamos, normal, isto é não hassídico. Aliás, coincidência fantástica, pois tanto quanto me apercebi a seguir, deveriam ser os dois únicos judeus praticantes no avião - pelo menos gastronomicamente.
Como tinham pedido comida kosher, deu para ver a religiosidade com que o hassídico comeu e o fastio que invadiu o outro ao ver o menu.
Realmente não parecia grande coisa, embora as doses fossem mais avantajadas do que as restantes.
Em Portugal deve ser complicado cumprir todos os ditames religiosos sobre a alimentação, não?

Lioness said...

José, não é difícil. Eu já quase não como carne, passo semanas sem lhe tocar, e mesmo antes de me tornar mais cumpridora raramente tocava em carne vermelha, e nunca porco que a minha pele não gosta. Depois de fazer um trabalho sobre o assunto nem me passaria pela cabeça comer carne vermelha kosher por causa da maneira como os animais são mortos - bárbara e completamente inaceitável, quanto a mim. Assim, chicken it is, e o corte Inglês está cheio de produtos kosher para o restante, mas também não me convence o "este pão/azeite não é kosher porque a pessoa que ligou o forno/pisou a azeitoninha era gentio". ??? Há que ter bom senso, parece-me, se não o mundo torna-se demasiado insano, pelo menos para mim. Há uns anos quando vinham visitantes era um horror, os desgraçados tinham que trazer tudo com eles ou viver à base de ovos cozidos. (Ainda cometo os meus pecadilhos fora de casa de vez em quando.) Mas acima de tudo, a Maso*rti (judaísmo conservador) não é propriamente a ortodoxia, os nossos rabinos comem em restaurantes normais (peixe) ou vegetarianos, os ortodoxos nunca o fariam. E nos aviões o truque é precisamente pedir uma refeição vegetariana, que é sempre melhor que a refeição normal (e eu gosto de comida de avião anyway) e chega mais cedo.

Para além disso, como veterinária, que experimentem sequer dizer-me que não posso tocar nalguns animais ou trabalhar no Shabbat. Animal doente tem prioridade e mais nada, e não me caem os parentes da alma na lama por mexer em porco ou marisco ou o que quer que seja. Não percebo a utilidade de encher chouriço, literalmente, mas é como os casamentos gay, o judaísmo at large não sofre de todo. ;)

Anonymous said...

José said...

:) Ok, got it.

Tinha percebido mal, julgava que era frequentadora da ST e não da Mas*orti.

Referia-me não tanto à circunstância de residir em Portugal e às dificuldades de arranjar comida kosher, mas sim ao facto de a comida portuguesa ser uma tentação, pelo menos para quem não é judeu nato, como julgo perceber que foi o seu caso.
E para quem é um guloso, como eu...

Lioness said...

De vez em quando vou à ST, mas muito raramente. A comida portuguesa para nós pode continuar a ser degustada, só pratos de peixe há centenas. Se por guloso se refere a doces, nem ligo nada e a maioria não é problemática. Se é tudo em geral, vide acima. Mas mesmoem relação à ST, que é uma sinagoga de tradição ortodoxa, há grandes diferenças de cumprimento entre os membros. A mim não me choca, acho que o judaísmo só tem a ganhar com diversidade, mas em relação ao kosher, por exemplo, nem todos os que a frequentam têm cozinhas kasher, e a maioria vai para lá de carro. Again, só me parece salutar que as pessoas ajustem a sua vivência religiosa aos constrangimentos da vida actual mas em termos puramente técnicos os judeus e rabinos ortodoxos dizem que a Halacha é a Halachah e nada pode ser mudado. Isto na Grande Lisboa é, como imagina, complicado. Pessoalmente acho que Deus aprecia mais alguém que tenha o cuidado de ser sempre uma pessoa recta e seguir o seu caminho judaico mesmo que este nem sempre cumpra TODOS os preceitos (centenas) do que criaturas que conheço que dedicam toda a atenção a detalhes e depois se comportam de forma abismal. Cada um sabe de si, etc.

[P.S. - O "nato" faz-nos franzir o sobrolho a todos. Demorou décadas, para alguns de nós, até sermos reconhecidos mas se não nos considerássemos "natos" não teria valido a pena passar por tanto. As nossas almas já nasceram assim, ah pois foi. ;-)]

Anonymous said...

Quando escrevia "nato" hesitei, mas acabei por não encontrar, de momento, outra palavra alternativa.
Não quero ferir quaisquer susceptibilidades, embora compreenda que, segundo as normas, haja natos e conversos.
Na realidade, veio-me à memória por constar numa recente declaração de judaísmo emitida por uma comu*nidade estrangeira para se poder franquear as portas da ST.
Não, não se ria, foi mesmo pedido uma declaração de judaí*smo, consistindo em se apurar qual a religião de pais e avós.
A burocracia não é um exclusivo do Estados...
Quanto à comida, não, não me referia aos doces.
Para quem é educado em Portugal, é normal ser habituado a comer derivados de porco que são verdadeiras "delicatessen", como paio, salpicão, presunto, etc, para além do vulgar fiambre, bem como o marisco, é claro.
O que queria referir é a dificuldade acrescida para um português não educado de criança - em vez de nato - nas normas judaicas sobre comida, em assumir estas plenamente. Aos que os fazem, bato-lhes palmas.
Seja como for, tem razão, conheço vários judeus natos ashkenazy que não são propriamente grandes adeptos da comida kosher. E ainda bem para eles. I guess.
Pergunta indiscreta, o que significa que compreendo perfeitamente que simplesmente a ignore: foi-lhe também difícil ser reconhecida?

Lioness said...

José, infelizmente não me rio, acredite. Eu percebo que cada vez mais seja necessário saber-se quem visita, mas há coisas que me transcendem. Acho que (e dentro das normas básicas de segurança) qualquer local de culto tem que estar aberto a toda a gente, independentemente da religião.

O kosher para mim é contra-intuitivo por não ter que ver com higiene alimentar, mas sim com abdicar porque sim. Acho que a vida já nos educa q.b. sem termos que nos sacrificar desnecessariamente. Algumas das coisas que faço não as faço por acreditar, mas porque me comprometi para com o meu rabino, mas também desde o início que os avisei que nunca seria tão cumpridora quanto eles gostaria, conheço-me e aos meus limites demasiado bem, e sou mais espiritual que religiosa. Como digo, em relação à alimentação tive sorte, a pele não gosta de carne vermelha e eu também nem por isso, e a proteína da minha alimentação é basicamente vegetal e queijo e iogurtes, não faço sacrifícios.

O ser reconhecida demorou muito tempo, eu sei que tecnicamente não somos entendidos como "natos" mas é um sore subject para nós, que por alguma razão somos a reencarnação familiar do judaísmo e tratados muitas vezes como judeus menores (if at all), e no meu caso tive que virar mundos e fundos para conseguir ir viver para Israel. Quando regressei encontrei a outra sinagoga, nem imaginava que existia, e pessoas exactamente na mesma situação que eu. Quando começámos não sabíamos nada, nem como era um serviço, o que fazer quando, o que dizer, como celebrar os festivais - nada. Tenho muito orgulho no nosso percurso mas o mais difícil foi encontrar quem acreditasse em nós e nos desse a mão, até aparecer a Masorti, que nos levou a sério e nos abriu uma porta de volta ao judaísmo. No meu caso demorou uma década, entre descobrir que não era umm freak religiosa, que o catolicismo me era alien e até hostil mas que o judaísmo fazia sentido e havia um nome para como me sentia, e consegur ser presente ao Beit Din (o tribunal judaico). Os nossos certificados reconhecem a nossa herança familiar, e isso para nós faz toda a diferença.

Ufa!